Novidades Atualizado em 05 de agosto de 2026 por Eduardo Pellegrini

A escritora Bethânia Pires Amaro estreia no romance com Ressalga, obra que devolve protagonismo a profissionais do sexo da Ladeira da Montanha, em Salvador, entre as décadas de 1950 e 1970.

Bethânia Amaro estreia no romance dando voz a profissionais do sexo

A escritora Bethânia Pires Amaro lança seu primeiro romance, Ressalga, com uma missão clara: devolver o protagonismo a mulheres que foram apagadas da memória oficial de Salvador. A obra parte da transformação da Ladeira da Montanha, que liga as cidades Alta e Baixa, de reduto boêmio a ruínas, para contar a história de profissionais do sexo que atuaram na região entre as décadas de 1950 e 1970.

O que é Ressalga, o romance de estreia de Bethânia Amaro?

Ressalga é um romance metaficcional que acompanha três gerações de mulheres na Bahia, com destaque para Graça, que se torna a maior cafetina da cidade. A narrativa é inspirada na trajetória de prostitutas que desenvolveram estratégias de sobrevivência diante da violência de seu tempo. A obra é permeada por acontecimentos históricos, como a morte de Getúlio Vargas, e figuras reais, como o médium Zé Arigó.

Por que a Ladeira da Montanha é central na obra?

A Ladeira da Montanha, que conecta as cidades Alta e Baixa de Salvador, foi um dos centros da boemia entre os anos 1950 e 1970. Hoje, está "completamente desmoronada, fantasmagórica", nas palavras da autora. Bethânia queria entender como um lugar tão efervescente chegou a esse estado de abandono, e foi aí que encontrou a história das mulheres que fizeram a região pulsar.

Como Bethânia Amaro pesquisou a história dessas mulheres?

A pesquisa revelou um desafio: quase todo o material encontrado tinha uma lente masculina. A Assembleia Legislativa da Bahia preserva biografias de grandes personalidades, mas quase todas de homens. Foi nos cantos dessas biografias que Bethânia reconstruiu o mosaico da vida dessas mulheres, que não constam da historiografia oficial. "Elas tinham sido o coração daquela região, e não havia nada na voz delas", disse a autora.

Quem são as personagens reais que inspiram o livro?

Duas figuras históricas se destacam: Maria Pires, conhecida por oferecer 50% de desconto para estudantes, e Maria da Vovó, que comandou um cabaré com até 60 mulheres nas noites mais cheias e enfrentou a violência policial. O livro também menciona o delegado de costumes Almir Araújo. A ficção se constrói sobre esse substrato histórico verossímil.

Qual a importância de apresentar Ressalga na Flipelô?

Bethânia participa da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), que ocorre de hoje (5) a domingo (9) no Centro Histórico de Salvador. Para a autora, apresentar o livro no território onde a história acontece é significativo. Ela participa de bate-papo na Casa Motiva e na Casa Odisseu no sábado (7). A autora já venceu os prêmios Jabuti, APCA e Sesc de Literatura com seu primeiro livro, Ninho, na categoria Contos.

Como a obra devolve a voz às mulheres?

Tradicionalmente, a literatura reduzia a mulher a papéis como esposa, amante ou prostituta. Em Ressalga, Bethânia busca um olhar não estereotipado, que não reduza essas mulheres às violências que sofreram. "Celebrar a existência delas e não reduzi-las aos abusos", explica. As personagens são densas, complexas, e o leitor é colocado diante de escolhas difíceis.

Perguntas Frequentes

Quem é Bethânia Amaro?

Bethânia Pires Amaro é uma escritora baiana, autora de Ninho, vencedor dos prêmios Jabuti, APCA e Sesc de Literatura, e do romance de estreia Ressalga.

O que é o livro Ressalga?

É um romance metaficcional que narra a história de três gerações de mulheres na Bahia, inspirado na trajetória de profissionais do sexo da Ladeira da Montanha, em Salvador.

Onde acontece a Flipelô 2026?

A Festa Literária Internacional do Pelourinho acontece no Centro Histórico de Salvador, de 5 a 9 de agosto.

Qual a relação entre Jorge Amado e o livro?

Jorge Amado planejou escrever um livro sobre as mulheres da Ladeira da Montanha, com fotos de Flávio Damm, mas o projeto foi abandonado após o AI-5. As imagens ficaram engavetadas por mais de 50 anos.

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