Especiais Atualizado em 27 de julho de 2026 por Marcos Tibúrcio

Degrau a degrau, Ivone do Santos sobe ao Teatro de Santa Isabel para ver o filho Isaías Tavares, violista, tocar no concerto de 20 anos do projeto Orquestra Criança Cidadã. A história de superação do bairro do Coque ao palco internacional emociona.

Da periferia para o mundo: concerto marca 20 anos de projeto no Recife

O concerto no Teatro de Santa Isabel, no Recife, marcou os 20 anos do projeto social Orquestra Criança Cidadã, criado em 25 de julho de 2006. A iniciativa formou mais de 1.500 jovens, como o violista Isaías Tavares e o contrabaixista Antonino Tertuliano, que hoje tocam em orquestras no Brasil e no exterior.

A história de Isaías Tavares, do Coque à Orquestra Sinfônica de Goiânia

Isaías Tavares, de 33 anos, entrou no projeto em 2006. Morava no bairro do Coque, que tinha o menor índice de desenvolvimento humano do Recife. A casa da família, feita de tábuas de madeira, desabou em uma tempestade em 2009. Os responsáveis pelo projeto conseguiram doações para erguer uma residência de alvenaria em outra rua do bairro, pagando o aluguel até a nova casa ficar pronta.

Antes de ter uma viola de verdade, Isaías simulava o instrumento com uma caixa de papelão e ensaiava o movimento do arco com um galho de goiabeira. Aos 18 anos, passou em um processo seletivo para o conservatório superior em Salzburgo, na Áustria. Tocou na Orquestra Sinfônica de Wels e viajou pela Europa. Hoje, é violista principal da Orquestra Sinfônica de Goiânia, onde trabalha há 15 anos.

Antonino Tertuliano, o único latino-americano na Filarmônica de Duisburg

O contrabaixista Antonino Tertuliano, também egresso da primeira turma, é hoje o único latino-americano entre os 100 integrantes da Orquestra Filarmônica de Duisburg, na Alemanha. Ele e outros dois colegas passaram em primeiro lugar nos concursos para seus instrumentos. Antonino lembra que, aos 14 anos, caminhava 20 minutos até a orquestra para estudar.

Herlane da Silva e o doutorado em Houston

A violoncelista Herlane da Silva, de 31 anos, outra egressa, está no doutorado em Houston (EUA), onde pesquisa a importância de projetos sociais latino-americanos na formação de músicos. Ela tocou para os pais, a dona de casa Patrícia e o pedreiro Herculano José, durante o concerto.

O projeto além do Recife: núcleo rural em Igarassu

O projeto também atua em Igarassu, a cerca de 30 km da capital, onde 40 crianças e filhos de trabalhadores rurais trocam a lida no campo por instrumentos musicais. Quatro alunos foram aprovados no curso de música da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), entre eles José Felipe da Silva, de 20 anos, que antes acompanhava os pais na plantação de milho, inhame, macaxeira e feijão. Ele caminhava 30 minutos por mata fechada até a escola de música.

O que dizem o criador e a coordenadora

O diretor e criador do projeto, o juiz de direito João Targino, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), afirmou que o primeiro objetivo não é apenas formar músicos, mas cidadãos. "Nós começamos esse trabalho há 20 anos e eu pude ver o quanto a música é transformadora na vida de uma pessoa", disse.

A professora Basemate Neves, que coordena as atividades em Igarassu, destacou que as crianças veem no projeto uma oportunidade de crescer e expandir os horizontes.

Perguntas Frequentes

O que é o projeto Orquestra Criança Cidadã?

É um projeto social criado em 25 de julho de 2006, no Recife, que oferece formação musical e cidadã a crianças e adolescentes de comunidades de baixa renda.

Quantos jovens já passaram pelo projeto?

Mais de 1.500 jovens já passaram pela iniciativa.

Onde fica a sede do projeto?

A sede fica em um quartel do Exército próximo ao bairro do Coque, no Recife.

Quem criou o projeto?

O projeto foi criado pelo juiz de direito João Targino, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

O projeto atua fora do Recife?

Sim, há um núcleo na área rural de Igarassu, a cerca de 30 km da capital.

Que músicos famosos saíram do projeto?

Entre os egressos estão o violista Isaías Tavares, da Orquestra Sinfônica de Goiânia, o contrabaixista Antonino Tertuliano, da Filarmônica de Duisburg (Alemanha), e a violoncelista Herlane da Silva, doutoranda em Houston (EUA).

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