Especiais Atualizado em 17 de julho de 2026 por Patrícia Goulart

Se você já ouviu um 'não gosto de viajar' e achou estranho, saiba que isso é mais comum do que parece. Ansiedade, custos, cansaço e preferências pessoais explicam por que viajar não é universalmente amado. Entenda as razões e como lidar.

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Vou ser sincera: quando uma amiga me disse que não gostava de viajar, quase caí da cadeira. Como alguém não ama arrumar mala, enfrentar aeroporto e dormir em cama estranha? Mas, depois de algumas conversas, percebi que o desinteresse por viagens é mais comum do que se imagina. Ansiedade com imprevistos, cansaço logístico, custos que apertam o orçamento e até a simples preferência pelo sofá de casa explicam por que algumas pessoas não gostam de viajar. Não é frescura, é uma escolha legítima.

1. Ansiedade e medo de imprevistos

Viajar envolve uma série de variáveis fora do nosso controle: atrasos de voo, bagagem extraviada, reservas que dão errado, idioma que não se domina. Para quem já lida com ansiedade no dia a dia, esse turbilhão de incertezas pode ser paralisante. Uma pesquisa da Anxiety & Depression Association of America indica que cerca de 40% das pessoas sentem algum nível de estresse ao planejar uma viagem. Não é à toa que muitos preferem evitar o gatilho.

2. Cansaço físico e mental

A romantização da viagem esconde o lado exaustivo: acordar cedo para pegar voos, carregar mala escada acima, caminhar quilômetros em museus, dormir em camas diferentes. Para quem tem problemas de saúde, energia limitada ou simplesmente valoriza o descanso, o roteiro turístico vira um suplício. Conheço uma mãe solo que, depois de uma semana viajando com os filhos, disse: "preciso de férias das férias". O cansaço acumulado é real.

3. Custos elevados e estresse financeiro

Passagem, hospedagem, alimentação, passeios, viajar pesa no bolso. E não é só o gasto em si: a pressão de "aproveitar cada centavo" transforma a experiência em obrigação. Uma pesquisa do Bankrate de 2023 mostrou que 48% dos americanos endividaram-se para viajar. Quando a conta chega e o prazer não veio, a frustração é dupla. Para muitos, ficar em casa é mais barato e menos ansioso.

4. Preferência por rotina e conforto

Tem gente que ama a previsibilidade do dia a dia: o café da manhã de sempre, a cama com o travesseiro certo, o bairro conhecido. A rotina não é tédio, é segurança. Para essas pessoas, a novidade constante de uma viagem (outro fuso, outra comida, outro idioma) drena a energia em vez de recarregar. Não é preguiça; é um traço de personalidade ligado à baixa busca por sensações novas.

5. Introversão e socialização forçada

Viajar geralmente envolve interagir com estranhos: recepcionistas, guias, companheiros de hostel, parentes distantes. Para introvertidos, esse contato constante é desgastante. Um estudo de 2018 no Journal of Travel Research mostrou que viajantes introvertidos relatam menos satisfação em viagens com alta demanda social. Se a pessoa já recarrega as baterias sozinha, um roteiro cheio de encontros vira um peso.

6. Simplesmente não gostar, e está tudo bem

Por fim, existe a razão mais simples e menos discutida: a pessoa não sente prazer em viajar. Ponto. Assim como tem quem ame acampar e quem odeie, viajar é uma atividade entre tantas. A pressão social de que "todo mundo deve amar viajar" é que gera o estranhamento. Respeitar o gosto alheio, inclusive o de quem prefere o quintal de casa, é o primeiro passo para viagens mais autênticas.

Fechamento

No fim das contas, não gostar de viajar não é defeito nem frescura. É uma escolha baseada em ansiedade, cansaço, custos, personalidade ou simples preferência. Se você se identificou, tudo bem ficar. Se conhece alguém assim, respeite. E se quiser tentar uma abordagem diferente, comece com microviagens: um fim de semana perto de casa, sem pressão de roteiro. O prazer de viajar não é obrigatório, e nem todo mundo precisa sair do lugar para ser feliz.

FAQ, Perguntas frequentes sobre quem não gosta de viajar

É normal não gostar de viajar?

Sim, é absolutamente normal. Estima-se que entre 10% e 20% da população adulta não sinta prazer em viajar, segundo levantamentos informais de psicólogos. A aversão a viagens não é um transtorno, mas uma preferência pessoal que pode ter raízes em ansiedade, introversão ou simples falta de interesse.

O que fazer quando o parceiro não gosta de viajar?

A chave é o diálogo e o respeito. Proponha viagens curtas e de baixo estresse, como um final de semana em local próximo. Pergunte o que especificamente incomoda (cansaço, custo, socialização) e adapte o roteiro. Se mesmo assim não rolar, considere viajar sozinho ou com amigos, não precisa compartilhar todos os hobbies.

Como viajar com alguém que não gosta de viajar?

Reduza o ritmo: menos atrações por dia, mais tempo livre. Escolha destinos com atividades que a pessoa curte (gastronomia, natureza, cinema local). Negocie um dia de descanso no meio da viagem. E, acima de tudo, não force. Uma viagem com alguém contrariado estraga o humor de todo mundo.

Não gostar de viajar pode ser sinal de depressão?

Não necessariamente. A falta de interesse por viagens pode ser um sintoma de depressão se vier acompanhada de outros sinais como desânimo generalizado, perda de prazer em atividades antes apreciadas, alterações de sono ou apetite. Se houver suspeita, vale buscar avaliação profissional. Mas, isoladamente, é só uma preferência.

Existe tratamento para quem tem medo de viajar?

Sim, quando o medo atrapalha a vida. A ansiedade de viagem pode ser tratada com terapia cognitivo-comportamental (TCC), que ajuda a identificar e reformular pensamentos catastróficos. Em casos mais específicos, como fobia de avião, existem programas de dessensibilização. Mas só vale tratar se a pessoa quiser, não por pressão social.

Como explicar para os outros que não gosto de viajar sem parecer estranho?

Seja direto e sem culpa: "Viajar não me atrai, prefiro gastar meu tempo e dinheiro com outras coisas". Se quiser, acrescente um motivo pessoal: "Ansiedade com imprevistos me desgasta" ou "Curto mais a rotina em casa". A maioria das pessoas respeita quando a explicação é sincera e sem defensiva.

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