# Rua do Samba em SP: homenagem à história e memória negra

> A Rua do Samba, antiga Rua João de Barros na Barra Funda, em São Paulo, foi oficialmente rebatizada em 28 de julho. A homenagem transcende o gênero musical, resgatando a memória da população negra e a trajetória da Escola Camisa Verde e Branco. O novo nome consolida o logradouro como símbolo da resistência cultural afro-brasileira na capital paulista.

*Blog do Diário · Destaques · 03 de agosto de 2026 · Tatiane Mourão*

A Rua João de Barros, na Barra Funda, foi rebatizada como Rua do Samba em 28 de julho. A homenagem vai além do gênero musical: resgata a memória da população negra e a história da Escola Camisa Verde e Branco.

## Rua do Samba em SP: a homenagem que nasceu na Barra Funda e reacende a memória negra da cidade

Quando vi a notícia de que a Rua João de Barros, na Barra Funda, tinha virado Rua do Samba, confesso que senti um aperto no peito. Não era só uma placa nova. Era um nome que carrega décadas de história, suor e samba. E, como alguém que já percorreu a cidade atrás de memórias esquecidas, sei o quanto esse tipo de reconhecimento é raro.

A rua, que tem apenas uma quadra, foi rebatizada em 28 de julho. O local é endereço de rodas de samba desde a década de 1980, quando Carlos Alberto Tobias organizava eventos ali. Mas a história começa bem antes, nos quintais e cortiços da Barra Funda.

## O que significa a Rua do Samba na Barra Funda

A Rua do Samba não é apenas uma homenagem ao gênero musical. É um resgate da memória da população negra no bairro. A família da cantora e compositora Simone Tobias, filha de Carlos Alberto e neta de seu Inocêncio, é parte central dessa história. Foi seu Inocêncio quem reorganizou, em 1953, um antigo grupo carnavalesco que depois se tornou a Escola Camisa Verde e Branco.

Simone conta que a origem vem de 1914, quando seu Dionísio Barbosa, tio de sua avó paterna, fundou o grupo carnavalesco Barra Funda. Em 1953, seu avô começou o movimento para chamar pessoas para um novo cordão, usando as cores primárias do Grupo da Barra Funda para homenagear Dionísio. O avô usava o apelido "camisas verdes", mas inseriu o branco para que o grupo "não fosse mais confundido com os integralistas".

### Os ensaios e o cortiço que não existe mais

Os ensaios aconteciam em frente à casa da família Tobias, um porão em um antigo cortiço que já não existe. Simone lembra que o senso de comunidade foi afetado pela especulação imobiliária ainda no final da década de 1970, empurrando os moradores para longe.

"Mesmo para a minha família, que na década de 80 foi morar na periferia da zona norte, ficava inviável entender como é essa loucura, né? Essa higienização, novamente feita para que a negritude fosse colocada nas periferias da cidade", relata.

## Cartografias de Bambas: o projeto por trás do reconhecimento

Em busca da valorização da memória negra do samba no bairro, antes que a gentrificação apague sua história, surgiu o projeto Cartografias de Bambas, coordenado por Nathália Oliveira. Ela ressalta que o movimento diz mais sobre o pertencimento a um território do que apenas à musicalidade.

"O samba entendido apenas como um som é esvaziar totalmente de sentido a construção dessa história. Quando a gente reconhece um bairro que está cada vez mais embranquecendo, é ir apagando o legado, né?", questiona Nathália.

Para ela, o reconhecimento da Rua do Samba "é um momento em que a gente também tem que provocar uma discussão na cidade sobre como as pessoas negras permanecem no seu lugar de memória construída pelos seus antepassados".

## Festival Cartografias de Bambas: ocupando a rua todo mês

Uma das iniciativas que contribuem para a permanência e memória da comunidade negra é o Festival Cartografias de Bambas, que reúne mensalmente sambistas e coletivos culturais na Rua do Samba. Nathália conta que o festival já ocorre há oito meses e que o público tem mudado.

"E o que a gente vem percebendo é que cada vez mais chegam pessoas negras de lugares diferentes da cidade, de várias idades. Então, tem muita gente mais velha que já veio aqui e fala que quer voltar a frequentar os nossos eventos", afirma. "A gente vai vendo como o público cada vez mais vai enegrecendo."

Esse tipo de evento, para Nathália, reconecta as pessoas com o território. E é exatamente isso que a Rua do Samba representa: um ponto de encontro entre gerações, um lugar onde a memória vira presença.

## O Largo da Banana e o berço do samba paulistano

Antes da Rua do Samba, outro ponto já reconhecia a Barra Funda como berço do samba paulistano: o Largo da Banana. Ali, estivadores negros se reuniam no final do século 19 para cantar e tocar o que daria origem ao samba na cidade. No local, foi construído um viaduto na década de 1950, e do lugar de memória restou apenas uma placa.

A diferença é que, agora, a Rua do Samba não é só uma placa. É um espaço vivo, com festival mensal, rodas de samba e a presença de quem faz a história continuar.

## Memória como política pública

No manifesto Rua do Samba da Barra Funda, o projeto Cartografias de Bambas reforça que memória também é política pública. E pede que a Rua do Samba siga como "patrimônio vivo, chão de memória e encruzilhada de futuros".

Para quem, como eu, já viu tanta história ser apagada em nome do progresso, ver uma rua inteira dedicada ao samba é um alívio. É a cidade reconhecendo que a cultura negra não é enfeite, é fundação. E que a Barra Funda, com seus cortiços e quintais, segue pulsando.

## Como visitar e vivenciar a Rua do Samba

Se você quer conhecer a Rua do Samba, o caminho é simples: vá até a Barra Funda, na quadra da antiga Rua João de Barros. Mas vá com tempo. A rua é curta, mas a história é longa. Procure saber quando acontece o Festival Cartografias de Bambas, que reúne sambistas e coletivos culturais mensalmente. É uma oportunidade de vivenciar o samba como pertencimento, não como espetáculo.

E se puder, converse com quem está ali. Cada pessoa naquela rua carrega um pedaço da memória que a placa agora anuncia. A Rua do Samba é um convite para lembrar que a cidade também se faz de afeto e resistência.

## Perguntas Frequentes

### Por que a Rua João de Barros virou Rua do Samba?

A rua foi rebatizada em 28 de julho como Rua do Samba, em homenagem à história do samba na Barra Funda, onde rodas de samba acontecem desde a década de 1980, organizadas por Carlos Alberto Tobias.

### Onde fica a Rua do Samba?

A Rua do Samba fica na Barra Funda, em São Paulo, e corresponde à antiga Rua João de Barros, que tem apenas uma quadra.

### O que é o projeto Cartografias de Bambas?

É um projeto coordenado por Nathália Oliveira que busca valorizar a memória negra do samba na Barra Funda, antes que a gentrificação apague sua história. O projeto também organiza o Festival Cartografias de Bambas.

### Qual a relação da Rua do Samba com a Escola Camisa Verde e Branco?

A escola surgiu de um grupo carnavalesco reorganizado em 1953 por seu Inocêncio, avô de Simone Tobias, filha de Carlos Alberto Tobias, que organizava rodas de samba na rua nos anos 1980.

### O que é o Largo da Banana?

É um ponto da Barra Funda onde estivadores negros se reuniam no final do século 19 para cantar e tocar, sendo considerado berço do samba paulistano. Hoje, resta apenas uma placa no local, após a construção de um viaduto na década de 1950.

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Fonte (canonical): https://blogdodiario.com.br/destaques/sao-paulo-rua-renomeada-homenagem-historia-samba/
