# Representação indígena vai além de candidatos eleitos, diz cineasta João Moreira Salles

> O cineasta João Moreira Salles, no documentário 'Minha Terra Estrangeira', defende que a representação indígena transcende a ocupação de cargos eletivos. O filme, exibido no Bonito Cinesur, acompanha Almir Suruí e sua filha Txai durante as eleições de 2022, evidenciando a atuação de uma nova geração de militantes indígenas na política brasileira.

*Blog do Diário · Destaques · 29 de julho de 2026 · Marcos Tibúrcio*

João Moreira Salles lança 'Minha Terra Estrangeira', documentário que mostra que a representação indígena vai além de candidatos eleitos. O filme, exibido no Bonito Cinesur, acompanha Almir Suruí e sua filha Txai nas eleições de 2022, destacando a nova geração de militantes indíg

Subir uma montanha exige preparo, mas a vista do topo compensa cada passo. No cinema, o esforço de João Moreira Salles para capturar a complexidade da representação indígena no Brasil resultou em 'Minha Terra Estrangeira', um documentário que desafia a narrativa linear tradicional. O nível de dificuldade aqui não é físico, mas conceitual: entender que a representatividade vai além de números de candidatos eleitos.

**O que diz o cineasta sobre representação indígena?**

João Moreira Salles, em seu novo longa documental 'Minha Terra Estrangeira', defende que a representação indígena no Congresso não se resume aos resultados eleitorais. O filme, uma das atrações do festival Bonito Cinesur (que ocorre até sábado, 1º de agosto), acompanha o líder indígena Almir Suruí e sua filha Txai durante as eleições de 2022. A produção contou com a colaboração de Louise Botkay e do Coletivo Lakapoy, formado principalmente por cineastas indígenas.

**A nova geração de militantes indígenas**

Para Salles, a representatividade não ocorre apenas como resultado de uma eleição. "Há uma geração nova de militantes indígenas que vem com uma força muito grande. Uma das personagens do filme, a Txai, representa isso muito bem. Há um movimento de uma geração inteira de indígenas que não quer mais ser representada, que quer ser representante", afirmou o diretor.

Dos 50 indígenas que se candidataram em 2022, apenas cinco foram eleitos para deputado federal. Apesar do número pequeno, o documentário destaca que o movimento é mais amplo. A ideia inicial de Salles era fazer um filme centrado em Txai, mas a candidatura do pai dela a deputado federal mudou a perspectiva.

**Como o filme foi construído**

A filmagem foi dividida para mostrar a dualidade e a cumplicidade entre pai e filha. O Coletivo Lakapoy e Louise Botkay filmaram Almir em campanha eleitoral, enquanto Salles voltou sua câmera para Txai, liderando protestos ou se preparando para falar na COP26, em 2021. Na montagem, as imagens se cruzaram, rompendo a linearidade comum em filmes políticos.

**A perspectiva indígena na montagem**

Ao serem apresentados à primeira versão, os indígenas questionaram o fato de o documentário terminar com uma vitória, quando a experiência indígena no Brasil é mais associada à derrota. O filme foi remontado a partir de um entendimento diferente do tempo, mais circular. "O nosso tempo tende a ser linear, é uma seta do tempo. O tempo indígena é de outra natureza, ele é um pouco circular", explicou Salles. O resultado é um modelo em espiral, com avanços, repetições e recuos.

**Perguntas Frequentes**

### O que é 'Minha Terra Estrangeira'?

É o mais novo longa documental de João Moreira Salles, exibido no festival Bonito Cinesur, que acompanha o líder indígena Almir Suruí e sua filha Txai durante as eleições de 2022.

### Quantos indígenas foram eleitos em 2022?

Dos 50 candidatos indígenas, apenas cinco foram eleitos para deputado federal.

### Quem participou da produção do filme?

Além de Salles, a produção contou com Louise Botkay e o Coletivo Lakapoy, formado por cineastas indígenas.

### Qual a mensagem principal do documentário?

Que a representação indígena vai além de candidatos eleitos, envolvendo uma nova geração que quer ser representante, não apenas representada.

### Como o filme difere de outros documentários políticos?

Ele rompe com a linearidade tradicional, adotando uma estrutura em espiral que reflete a cosmovisão indígena do tempo circular.

_Leve só o necessário, traga tudo de volta: o respeito à perspectiva indígena é essencial para entender a verdadeira representatividade._

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Fonte (canonical): https://blogdodiario.com.br/destaques/representacao-indigena-vai-alem-candidatos-eleitos-diz-cineasta/
