O Museu do Pontal celebra 50 anos em 2026 após superar enchentes na sede do Recreio. Reaberto na Barra da Tijuca, o espaço valoriza artistas populares. Veja a trajetória.
Meio século de história, 10 anos de reconstrução e uma lição sobre o valor da arte popular. O Museu do Pontal celebra 50 anos em 2026, mas o caminho até a sede atual, na Barra da Tijuca, passou por enchentes, obras paralisadas e uma campanha que mobilizou mais de 1 mil pessoas e empresas.
A antiga casa, no Recreio dos Bandeirantes, sofria com inundações frequentes. A construção de condomínios residenciais nos arredores deixou o terreno mais baixo que os vizinhos, e o acúmulo de água virou rotina, mesmo após uma grande reforma em 2009. O diretor executivo Lucas Van de Beuque relatou à Agência Brasil que os períodos foram difíceis: "Foram inundações, ano a ano, e a gente foi mobilizando pessoas, empresas acionando a Prefeitura".
Em 2016, o museu conseguiu um terreno, mas a falta de recursos paralisou as obras por dois anos. Preso à sede antiga, sofreu uma inundação ainda mais forte, com até 1 metro de água nas instalações internas. Sem verba para reparar os danos, a solução veio das doações. "Inauguramos em outubro de 2021. Foram 10 anos nesse processo, que foi muito difícil, mas muito interessante também", afirmou Lucas.
No meio do caminho, a pandemia de covid-19 não parou o museu. Os diretores promoveram encontros virtuais com artistas de vários estados, um alívio em tempos de reclusão. Hoje, o Pontal funciona na Barra da Tijuca com o conceito de Museu Praça, um espaço de convivência com exposições, espetáculos, oficinas e jardim para piquenique e soltar pipa.
A diretora Angela Mascelani lembra que a coleção construída pelo francês Jacques Van de Beuque desde 1976 valoriza a produção das camadas populares. A exposição inaugural, composta por peças compradas por Jacques ao vir para o Brasil, passou primeiro pelo MAM do Rio de Janeiro, o que deu mais reconhecimento à mostra. "Havia uma perspectiva que não valorizava a produção feita pelas camadas populares como arte", avaliou Angela, que defende contar a história desses artistas como se faz com as artes hegemônicas.
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