# Museu do Pontal: 50 anos de arte popular e 5 da nova sede

> Museu do Pontal, na Barra da Tijuca, celebra 50 anos de arte popular e 5 da nova sede. A instituição apresenta exposição de Véio e festival com mais de 20 atrações gratuitas, registrando recorde de público. A programação comemorativa destaca a trajetória do acervo e a consolidação do espaço como referência cultural no Rio de Janeiro.

*Blog do Diário · Destaques · 29 de agosto de 2026 · Eduardo Pellegrini*

Museu do Pontal comemora 50 anos de arte popular e 5 da nova sede na Barra da Tijuca com exposição de Véio, festival com mais de 20 atrações gratuitas e recorde de público.

O Museu do Pontal tem comemoração dupla neste fim de semana. O espaço cultural, considerado o maior e mais significativo museu de arte popular do país, faz 50 anos. Além disso, a sede na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, para onde foi transferido das instalações antigas, no Recreio dos Bandeirantes, completa 5 anos de atividades. Nesses cinco anos de sede nova, o Museu produziu mais de 1 mil espetáculos e oficinas, e o público chegou a mais de 400 mil visitantes. Foram promovidos 17 festivais, que reuniram 80 mil pessoas.

Uma programação extensa vai animar o público neste fim de semana. Um dos pontos altos é a exposição Véio - A Escuta do Sertão, a maior mostra panorâmica já realizada sobre o artista plástico sergipano Cícero Alves dos Santos, o Véio, com cerca de 300 obras produzidas durante seis décadas. Para celebrar a música e a cultura popular, o espaço realizará o Festival 50 anos, com mais de 20 atrações gratuitas, incluindo shows de artistas como Lia de Itamaracá, Siba, Mestre Solano & Noites do Norte, Zé Bezerra & Trio Pernambucano, Trio Forrozão, Edmilson dos Teclados e Aturiá. Haverá também apresentação de manifestações como bumba meu boi, bate-bola e espetáculos circenses, incluindo exibições de documentários desenvolvidos pelo museu com artistas populares. O público infantil vai poder participar de oficinas de criação das programações próprias.

"Tem famílias que vinham aqui sem estar grávidas, ficaram grávidas, tiveram filhos e hoje vão na roda de bebês que também vai ter e é um grande sucesso. Mais de 1 mil bebês já participaram", contou o diretor executivo do museu, Lucas Van de Beuque, em entrevista à Agência Brasil. O espaço cultural está aberto ao público de quinta a domingo, das 10h às 18h. O acesso às exposições termina às 17h30.

A ligação de Véio com o museu vem de longe. Nos anos 70, quando começou as pesquisas e a compra de obras de arte popular que formaram o acervo, o francês Jacques Van de Beuque se encantou com as peças do artista e incorporou suas esculturas à coleção do espaço cultural. A aquisição das peças traz uma boa memória para o artista, especialmente quando visitava o local. "O meu interesse não era só de mostrar o meu trabalho, porque eu mesmo estava vendo. Era de que o pessoal carioca conhecesse mais o trabalho de um sertanejo que sai da roça e vai até o exterior criando peças que ninguém nunca viu", afirmou Véio, em entrevista à Agência Brasil.

Véio - A Escuta do Sertão, que vai ser inaugurada no sábado (29), às 15h30, foi montada em cinco núcleos expositivos que passam por diferentes momentos da jornada do sergipano, desde as primeiras esculturas figurativas até os trabalhos inspirados a partir de troncos, raízes e galhos, que o aproximam da natureza, da memória e da cultura sertaneja. Segundo o artista, a sua produção já chegou a ter, lá no sertão em Sergipe, mais de 17 mil peças. Para o escultor, é importante ter parte representativa da sua criação exposta no Museu do Pontal. "A quantidade para mim é significante porque é em um espaço onde o público é totalmente selecionado para ver e conhecer arte. Então, é uma forma muito importante, nessa razão de estar saindo do sertão para um espaço como o Rio e o Museu do Pontal", apontou.

Quem visitar a mostra, que tem a curadoria da diretora do Museu, Angela Mascelani, e do diretor executivo, Lucas Van de Beuque, vai encontrar um panorama abrangente de um dos mais importantes escultores brasileiros contemporâneos. Na visão da curadora, Véio é um artista de 80 anos importante para as artes brasileiras e extremamente reconhecido por sua produção. Ao mesmo tempo, é bastante ousado e não ficou fixo em uma perspectiva única. "O acervo que temos no Museu do Pontal fala muito do Véio cronista, comentarista da realidade sertaneja e mais do que isso, desvelando uma outra perspectiva de sertão. Quando a gente diz isso, está falando da obra dele que não é literal, às vezes pode até parecer literal, mas que tem um sentido que ele vai explicitando", afirmou Angela.

O transporte para chegar ao museu neste fim de semana será facilitado. Quem quiser ir de metrô, depois de descer na Estação Jardim Oceânico, contará com vans gratuitas à disposição, como também para quem quiser seguir do terminal de ônibus Alvorada. Por meio da Lei Rouanet, o Museu do Pontal tem patrocínio master da Shell, a empresa Vale como patrocinador estratégico, e como patronos Repsol Sinopec Brasil e Itaú, além da Prefeitura do Rio.

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Fonte (canonical): https://blogdodiario.com.br/destaques/museu-pontal-festeja-50-anos-arte-popular-cinco-nova-sede/
