Cerca de 70 mil pessoas passaram pelos dez dias da 29ª edição do Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes. Com o tema Minas Lusitânia, o evento destacou a influência portuguesa na cozinha mineira, em aulas, desafios e estandes.
Cerca de 70 mil pessoas circularam nos dez dias da 29ª edição do Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, encerrado no último domingo (30) na cidade histórica de Minas Gerais. Visitantes, chefes de cozinha e produtores locais trocaram experiências e aprenderam novas técnicas em aulas ao vivo, palestras e espaços interativos.
Em 2026, o encontro teve como tema Minas Lusitânia, um elo entre culturas, que revelou como ingredientes, técnicas e costumes de referência portuguesa se tornaram parte da identidade gastronômica mineira. O curador gastronômico Rusty Marcellini conta que suas viagens a Portugal o fizeram perceber as similaridades entre as duas cozinhas. "Existe uma identidade muito grande entre Portugal e Minas Gerais, e as pessoas não têm essa consciência", afirmou, citando a cultura dos quintais, das hortas e do porco, como no caso do leitão a pururuca.
A plataforma Fartura Brasil, organizadora do evento, realiza ações em Portugal desde 2018, com expedições de pesquisa, uma edição do Festival Fartura em Lisboa e participação no Essência do Vinho. Para a 30ª edição, em 2027, ainda não há tema definido. Rusty adianta que gostaria de homenagear os participantes mais assíduos e talvez falar da América Latina: "Sair um pouco da Europa e voltar às nossas origens".
O Largo das Forras, principal praça da cidade, abrigou o Espaço Conhecimento e o Espaço Interativo do Sistema Fecomércio de Minas Gerais. Os desafios culinários foram um dos eventos mais concorridos, com o público reproduzindo pratos propostos por chefs ao vivo. No domingo (30), o chefe Ronie Peterson, especialista em gastronomia do Senac de Minas Gerais, ensinou uma galinhada. A primeira colocada foi Zoraide Santos, de 58 anos, que atua na culinária em Teresópolis, no Rio de Janeiro.
A professora Juju Guerra, da Universidade de Lavras, preparou o risoni das Gerais com pato, paio, cachaça e torresmo no sábado (29). Nos estandes, o Bar do Zezé, de Belo Horizonte, trouxe uma tonelada de barriga de porco para o torresmo de rolo, enquanto o restaurante Ilhote Sul, de Macaé, serviu pão de queijo recheado com polvo, com quase uma tonelada de frutos do mar para 3 mil porções.
Na Vinícola Trindade, foi lançado um guia com as rotas do vinho de Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, promovido pela ONU Turismo. O diretor de investimentos para as Américas, Daniel Nepomuceno, afirmou que a iniciativa privada brasileira investe R$ 20 bilhões no setor. *A reportagem viajou a convite do Fartura Brasil.
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