Destaques Atualizado em 17 de julho de 2026 por Sérgio Bittencourt

O Brasil guarda algumas das trilhas de trekking mais desafiadoras e cênicas do mundo. Da Mata Atlântica à Amazônia, este guia percorre 11 rotas imperdíveis, com altitude, duração e o que esperar de cada uma. Prepare as botas e o espírito de aventura.

O Brasil é um país de dimensões continentais e, para quem busca caminhar, guarda algumas das trilhas de trekking mais desafiadoras e cênicas do planeta. Da Mata Atlântica à Amazônia, passando por chapadas e serras, as rotas se multiplicam em altitudes, biomas e graus de dificuldade. Este guia percorre 11 trilhas imperdíveis para o trekking no Brasil, com informações sobre distância, duração e o que esperar de cada uma. Seja você um iniciante ou um aventureiro experiente, há um caminho esperando por suas botas.

1. Travessia Petrópolis-Teresópolis (Serra dos Órgãos, RJ)

A mais clássica das travessias brasileiras cruza o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, ligando Petrópolis a Teresópolis. São cerca de 30 km de trilha, com duração de 3 dias, que cortam a região dos picos mais emblemáticos do estado, como o Dedo de Deus e a Pedra do Sino. O percurso exige preparo físico, mas recompensa com vistas de 360 graus da baía de Guanabara e da serra. A altitude média fica em torno de 2.000 metros, e o clima muda rápido: leve capa de chuva mesmo no verão.

2. Monte Roraima (Roraima)

O Monte Roraima é a fronteira natural entre Brasil, Venezuela e Guiana, e uma das formações geológicas mais antigas do mundo. A trilha, que parte da comunidade indígena Ingarikó, dura de 6 a 8 dias, com cerca de 140 km (ida e volta). O terreno é irregular, com trechos de pedra solta e riachos, mas o destino, o topo do tepui, é surreal: um planalto de 31 km² com vales de quartzo, piscinas naturais e uma vista que parece de outro planeta. É uma das trilhas mais procuradas por trekking de longa duração no Brasil.

3. Travessia da Serra do Mar (SP/RJ)

A antiga estrada do ouro, que ligava São Paulo ao Rio de Janeiro, hoje é uma trilha de 120 km que corta o Parque Estadual da Serra do Mar e a Reserva Biológica do Tinguá. São necessários de 8 a 10 dias de caminhada, com trechos de mata fechada, cachoeiras e ruínas históricas de engenhos e fazendas coloniais. A altitude varia de 800 a 1.200 metros, e o maior desafio é a umidade constante, a serra capta a umidade do oceano, o que torna o terreno escorregadio e exige cuidado extra com os pés.

4. Chapada Diamantina (BA)

A Chapada Diamantina oferece dezenas de roteiros de trekking, mas o circuito do Vale do Pati é o mais icônico. São 4 a 6 dias de caminhada, percorrendo de 50 a 70 km entre cânions, rios e platôs. A altitude máxima chega a 1.600 metros, e a paisagem muda de campos rupestres a matas ciliares. Diferente de outras trilhas, o Pati é habitado por comunidades locais que oferecem pousadas simples e refeições caseiras, dá para caminhar sem barraca. A melhor época é de abril a setembro, quando chove menos.

5. Parque Nacional do Itatiaia (RJ/MG)

O Itatiaia é o parque nacional mais antigo do Brasil (1937) e abriga o pico das Agulhas Negras, com 2.787 metros. A trilha para o cume é de 12 km (ida e volta), com grau de dificuldade alto devido ao terreno de pedra solta e à altitude. Mas há opções mais leves, como a trilha do Lago Azul ou da Cachoeira do Maromba. O parque é um dos melhores para trekking de um dia no Brasil, com estrutura de camping e alojamento. Leve agasalho: a temperatura no planalto pode cair a 5°C mesmo no verão.

6. Parque Nacional de Aparados da Serra (RS/SC)

O cânion do Itaimbezinho é a atração principal, mas o parque oferece trilhas de longo curso, como a do Rio do Boi (2 dias) e a do Cânion Fortaleza (3 dias). A paisagem é de campos de altitude, com araucárias e quedas d'água que despencam de paredões de basalto. O trekking no Rio do Boi, em especial, exige cruzar o rio dezenas de vezes, calçado impermeável é obrigatório. A altitude varia de 800 a 1.200 metros, e o vento forte no topo do cânion é constante.

7. Vale do Pati (Chapada Diamantina, BA)

O Vale do Pati merece uma menção à parte pela singularidade: é uma das trilhas mais bonitas do Brasil, com 4 a 6 dias de percurso. O roteiro clássico sai de Guiné ou de Capão, passando por comunidades como Funis, Cachoeirinha e Pati. A altitude máxima é de 1.600 metros, e a paisagem inclui o Morro do Castelo e a Cachoeira dos Funis. A trilha é bem demarcada, mas exige preparo para as subidas íngremes e o calor intenso do meio-dia.

8. Parque Nacional da Serra do Cipó (MG)

A Serra do Cipó é conhecida como a "serra dos campos rupestres", com uma biodiversidade impressionante. A trilha da Lapinha, de 18 km (ida e volta), leva a um cânion com piscinas naturais. Para trekking de mais dias, há a travessia da Serra do Cipó (5 dias, 70 km), que corta o parque de norte a sul, com altitude entre 800 e 1.500 metros. A flora é única: orquídeas, bromélias e sempre-vivas. A melhor época é de maio a setembro, quando as chuvas diminuem.

9. Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO)

A Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso de Goiás, tem trilhas curtas e longas. A mais famosa é a do Saltos do Rio Preto, com 12 km (ida e volta), que leva a quedas d'água de até 80 metros. Para trekking de 2 a 3 dias, o roteiro da Travessia das Sete Quedas (35 km) exige pernoite em camping. A altitude média é de 1.200 metros, e o clima é seco no inverno, com temperaturas amenas. Leve bastante água, o sol do cerrado é forte.

10. Parque Nacional do Caparaó (ES/MG)

O Caparaó abriga o pico da Bandeira, o terceiro mais alto do Brasil, com 2.892 metros. A trilha para o cume tem 12 km (ida e volta), com grau de dificuldade moderado a alto. O percurso sai do Terreirão, passa pela Toca da Onça e chega ao topo, onde a vista alcança a serra do Mar e o oceano em dias claros. A altitude exige preparo: o ar rarefeito pode causar cansaço em quem não está aclimatado. A melhor época é de abril a outubro.

11. Parque Nacional da Tijuca (RJ)

A maior floresta urbana do mundo oferece trilhas para todos os níveis. O pico da Tijuca, com 1.021 metros, é acessível por uma trilha de 8 km (ida e volta), que passa pelo Mirante do Excelsior e pela Pedra da Gávea (opção mais avançada). Para trekking de um dia, a travessia do parque (15 km, 6 horas) liga a Cascatinha ao Alto da Boa Vista. A altitude é baixa, mas o calor e a umidade da Mata Atlântica exigem hidratação constante. É a trilha mais acessível para quem está no Rio de Janeiro.

Qual trilha escolher?

Para quem começa no trekking, a Travessia Petrópolis-Teresópolis e o Parque Nacional da Tijuca são boas portas de entrada: têm estrutura, sinalização e duração curta. Já o Monte Roraima e a Travessia da Serra do Mar são para aventureiros experientes, com dias seguidos de caminhada e terreno técnico. O Vale do Pati e a Chapada Diamantina equilibram dificuldade e beleza, com suporte de comunidades locais. Escolha conforme o tempo disponível, o preparo físico e o tipo de paisagem que mais te atrai, e lembre-se: o melhor equipamento é o respeito à natureza e ao próprio corpo.

FAQ

Qual a melhor época para fazer trekking no Brasil?

Depende da região. No Sudeste e Sul, de abril a outubro (outono e inverno) é a estação seca, com menos chuva e temperaturas amenas. No Nordeste e Centro-Oeste, de maio a setembro evita as chuvas intensas. Na Amazônia, o período de junho a novembro é o menos chuvoso.

Preciso de guia para trilhas longas?

Sim, para a maioria das trilhas de longa duração (Monte Roraima, Travessia Petrópolis-Teresópolis, Chapada Diamantina) é obrigatório ou altamente recomendado contratar um guia credenciado, por questões de segurança e navegação. Verifique a exigência no site do parque.

Qual o equipamento básico para trekking?

Mochila de 40-60 litros, calçado de trekking com cano alto, bastões de caminhada, barraca (se for pernoite), saco de dormir, isolante térmico, kit de primeiros socorros, lanterna de cabeça, cantil ou filtro de água, e roupas leves e impermeáveis.

Como treinar para uma trilha de vários dias?

Comece com caminhadas de 1-2 horas em terrenos variados, aumentando gradualmente a distância e a inclinação. Treine com a mochila carregada (10-15 kg) e faça simulações de subida em escadas ou ladeiras. O preparo cardiovascular é tão importante quanto o fortalecimento de pernas e core.

Trekking no Brasil é seguro?

Sim, desde que você esteja preparado e respeite os limites. Informe-se sobre a trilha, evite caminhar sozinho, leve mapa ou GPS, e avise alguém sobre o roteiro. Em parques nacionais, siga as regras e horários de visitação. Furar a programação é o maior risco.

Qual a trilha mais difícil do Brasil?

O Monte Roraima e a Travessia Petrópolis-Teresópolis estão entre as mais desafiadoras pelo terreno técnico e altitude. A Travessia da Serra do Mar também é dura pela extensão e umidade. Mas a dificuldade varia conforme preparo físico e condições climáticas.

Publicidade

A newsletter de viagem da Blog do Diário

Destinos escolhidos a dedo e roteiros sem pressa, no seu e-mail. De graça.

Leia também

Outros destinos da edição

Publicidade